segunda-feira, 12 de junho de 2017

12 de junho - Beata Florida Cevoli

Um profundo desejo de plena conformidade com a vontade de Deus também marcou toda a vida de consagração da Beata Flórida Cevoli, formada na escola espiritual de Santa Veronica Giuliani. Conduzida pelo Espírito da Verdade, que leva os crentes a interiorizar a Palavra de Deus transformadora e santificadora de dentro de sua existência, a nova Beata, em seu escritório de abadessa, aprendeu a viver com estilo evangélico sua tarefa, como uma verdadeira serva das Irmãs. Com o seu exemplo arrastou a Ordem das Clarissas à observância generosa da ordem franciscana, especialmente no que diz respeito à pobreza, austeridade e simplicidade de vida.

Papa João Paulo II – Homilia de Beatificação – 16 de maio de 1993

Lucrécia Helena Cevoli nasceu em Pisa no dia 11 de novembro de 1685, filha do Conde Curzio e da Condessa Laura da Seta.

Com 18 anos, na primavera de 1703, Lucrécia decidiu entrar no mosteiro das Clarissas Capuchinhas de Città di Castello. Poucos acreditaram que Lucrécia, habituada a uma vida cômoda, pudesse superar as austeridades de uma vida ditada pela Regra de Santa Clara. Todavia, ela transpôs o portal do mosteiro das capuchinhas de Cittá di Castelo, e não voltaria jamais para trás. No dia 8 de junho de 1703 iniciou o período de noviciado, em 10 de junho de 1705 emitiu a profissão solene dos votos e adotou o nome de Florida.

O impacto com o mosteiro fora mais duro do que o previsto, as Irmãs pareciam hostis e a Mestre, a futura Santa, Irmã Verônica Giuliani, dava a impressão de não querer recebê-la. Florida conseguiu superar aquele terrível momento, porque sua vocação era autêntica. Soube dar provas de humildade e desejou sinceramente fazer penitência.

Nos séculos XVII-XVIII as noviças deviam enfrentar uma disciplina duríssima e por qualquer coisa podiam ser mandadas embora; a humildade era uma das virtudes mais inculcadas, e não se hesitava humilhar em publico as noviças. Este rigoroso caminho ascético não era um fim em si mesmo; nas personalidades mais puras tinha o efeito de fogo purificador, e queimando as escórias levava as almas a subir na oração.

Uma sede de contemplação, nunca extinta, dominou a vida inteira de Irmã Florida, que se tornava fervorosa sustentadora do mais rigoroso ideal franciscano. E, contudo, não seria ela marcada pela grandeza de contemplação, porque era mulher dotada de pulso, hábil e capaz no governo. Uma das testemunhas dizia que “Irmã Verônica era ótima para rezar, Irmã Florida tinha mais espírito e mais coragem”.
As Irmãs logo perceberam sua personalidade e lhe confiaram, ainda que jovem, o encargo de supervisora da disciplina da comunidade. Isso lhe deu a possibilidade de empreender mudanças: o mosteiro não estava bem de acordo com o espírito rigoroso de Santa Clara, e uma interpretação branda da regra facilitava muitas acomodações.

Em 1716, quando Verônica Giuliani foi eleita abadessa, Florida, que no momento completava 31 anos, lhe foi dada como vigária. E enquanto a abadessa se dedicava mais ao campo espiritual, voltada às alturas vertiginosas da mais alta contemplação, a vigária fazia acontecer, de acordo com a madre, a vida doméstica, encarregando-se das tarefas concretas, enfrentando as pequenas e grandes dificuldades da vida, cuidando com grande atenção das relações humanas.

Santa Verônica Giuliani permaneceu como abadessa ao longo de onze anos consecutivos, isto é, até sua morte, ocorrida em 1727. Sucedeu-a no cargo a Irmã Florida, que guiou o mosteiro até 1736, continuando o trabalho iniciado. Sem solavancos violentos, empreendeu com mão segura, forte e suave, uma progressiva mudança na vida comunitária. Não lhe faltaram contrariedades, mas soube superá-las para realizar os seus projetos.
Despertava encanto nas religiosas a coragem e a naturalidade com que a abadessa, criada em ambiente aristocrático e que com frequência recebia visita de nobres senhoras, executava os serviços mais humildes da casa.

Após nove anos de abadessa, foi-lhe confiado o encargo de mestra das noviças, depois, voltou a ser abadessa, vigária, alternando-se em tais encargos até o dia de sua morte. De seu sábio governo viveu o mosteiro.

Não lhe faltaram também os sofrimentos físicos ao longo de vinte anos, mas ela vivia na calma sem que as demais se dessem conta.
Irmã Florida favoreceu a introdução da causa de beatificação de Verônica, e foi ela que decidiu, em 1753, erguer um novo mosteiro na casa dos Giuliani, em Mercatello.

Em algumas das suas cartas relativas à construção do Mosteiro em Mercatello, em 1754, vemo-la dando ordens práticas sobre o aproveitamento do prédio antigo. Ao pároco escrevia, em fevereiro de 1755, reclamando de ter lhe pedido dados concretos de um certo trabalho: “já passou o Advento há dois meses e passou o carnaval, e ainda não tenho sequer uma linha do senhor capelão. Mas que é isto? Estão vivos ou estão mortos?”

Por ocasião de sua morte, após trinta e sete dias de febre forte, no dia 12 de junho de 1767, ao se examinar o cadáver verificaram-se alguns sinais prodigiosos em seu peito testados por um médico presente.
A causa de sua beatificação foi iniciada em 1838, e em 1910 suas virtudes heroicas foram aprovadas. Foi beatificada em 16 de maio de 1993 pelo papa João Paulo II. 


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